domingo, 29 de março de 2009

Eterno seja

Para Ricardo Paes


Sempre sonhei um dia te encontrar.

É tudo aquilo que manifesta ser


Particularmente criativo

Inventa e reinventa a vida


Tem um sentimento natural de nobreza

Sua doce alma embriaga a quem o ouve


Fiel, constante e sincero.

Verdadeiro anjo quando o tratado é ajudar.


Sabe ter uma ótima presença de palco da vida.

Em qualquer lugar pode passar e curar ferida


Ri,de si mesmo

se entretem com seu próprio eu.

Socorre e esquece de si


Como um dia tudo termina

Até o último suspiro...


enquanto dure...
eterno seja ...

--
Delymar Cardoso

sexta-feira, 13 de março de 2009

REFLEXÃO RETRÔ SOBRE A RETROFLEXÃO

Eu tinha uma máquina de escrever que, para os mais jovens que não a conheceram, é uma impressora que imprime ao mesmo tempo em que se digita. E estou dizendo isso por acreditar que somos como tais máquinas.

Somos o resultado da nossa própria trajetória enquanto organismos e mentes o que, no dizer do biólogo chileno Humberto Maturana(1), nos torna sistemas autopoiéticos ou auto-reguladores não disjuntos do “meio ambiente”. Ele vem demonstrando teoricamente que o organismo é o meio e o meio é o organismo. Ora, então somos aquilo que vivemos e como vivemos. Dizer, por exemplo, que somos o que comemos, o que lemos, como enxergamos o mundo e como nos colocamos nele, é admitir a idéia de um sistema nervoso fechado em um oikós(2) que não apenas se constitui na interação do organismo com o meio e vice-versa, mas em sua interconstituição contínua ou autogeração bipolarizada entre partes de um mesmo organismo-sistema.

Estas foram as primeiras ilações que me ocorrem ao ler sobre a Retroflexão, de que trata a presente reflexão, onde a mesma é descrita como a capacidade de nos dividirmos em observador e observado – um dos postulados fundamentais de Maturana que diz “que tudo é visto a partir de um observador”. O que em princípio parece óbvio, vai juntar-se e fazer sentido com o que vou dizer mais adiante.

O referido fenômeno (retroflexão) constitui-se num dirigir a si mesmo impulsos tanto hostis quanto ternos, tanto um amor dedicado que lhe poderia ter sido negado na infância quanto um ódio àqueles que não lhe negaram esse amor, retroflexionado como culpa por desejar realizá-lo. Então me ocorreu uma sincronicidade junguiana: enquanto estou sendo submetido a cirurgias dentárias pré-implantodônticas, o que, naturalmente, me envolvem num devir retrô e que se encaixou como luva (de dentista) no tema que abordamos aqui.

Pensei na “fase oral canibal”, no bruxismo há muito diagnosticado, no masseteiro (ou masséter) espástico em tantas sessões de bioenergética, para refletir como, de algum modo, nos deixamos consumir antes do tempo (quer dizer, como filhos do tempo, por ele devorados, podemos cuidar para que o tempo não nos devore tão depressa). Ou, talvez, retroflexionando sobre o assunto, podemos fazê-lo deliberadamente, como uma inscrição, um texto que se tece enquanto se digita, um pé que faz o caminho que faz o pé, o arado que ara enquanto o estilete do escriba entalha a escrita que explica a escrita, o escriba, o estilete o arado, o pé, o caminho, a verdade e a vida – pregado pelos parafusos da implantodontia como Cristo! Se nos deixamos consumir antes do tempo, auto-antropofágicamente, nos devoramos imersos no tempo que estamos e somos.

Polster(3) vai dizer que a retroflexão pode ser autocorretiva, neutralizando limitações e riscos reais. O que vai, ao fim das contas, conferir uma qualidade caracteriológica (ou seja, inscrita de algum modo no corpo, na couraça muscular do caráter, como diria Reich) é aquilo que se transforma em distanciamento crônico entre forças opostas dentro do indivíduo. E acrescenta então que “a suspensão temporária e sábia, da ação espontânea originalmente sadia, torna-se uma resignação insensível. O ritmo natural entre a espontaneidade e a auto-observação é perdido e a perda deste ritmo divide o homem em forças autolimitantes”.

Fiquei pensando também como essa Mente-Natureza (Bateson) é sábia: se autocorrige e busca o reequilíbrio continuamente. Quanto mais indivíduos adoecidos, ou quanto mais adoecimento é percebido pelo conjunto, mais surge quem se ocupe de encontrar alternativas terapêuticas ou autocorretivas. Agora fiquei na dúvida: quanto mais adoecidos, mais terapeutas surgem ou quanto mais surgem terapeutas mais gente adoece?

De qualquer modo, voltemos ao caminho para não perdermos o pé; se ficarmos filosofando muito, isso vira pós-doutorado. Se eu ficar me escarafunchando em excesso e em público... estou fritz!

Citando Polster: “Quando uma pessoa retroflete repetidamente, ela bloqueia as suas saídas para o mundo e permanece sob o controle de forças opostas, mas estagnadas. Por exemplo, se uma pessoa escolhe refrear o seu choro, sob as exigências de ter de viver com pais proibidores, ela não tem de continuar este sacrifício além dos seus anos de contato com eles. O problema principal do bem-viver é manter-se em dia com as possibilidades que existem, em vez de permanecer-se marcado o tempo todo por experiências que foram somente temporárias ou que podem ter sido simplesmente erros de percepção ou de intuição. Talvez ela somente pensou que tinha de refrear seu choro, quando na verdade ela não tinha que fazê-lo. Além do mais, pode ser que ela agora não tenha de fazê-lo, a despeito de originalmente ter tido ou não razão.”(pág. 89-90)

Os Polster nos falam dos dois níveis de toxicidade observáveis nas resistências à liberação do que foi retrofletido. Um mais suave, onde o “indivíduo faz para si mesmo no mínimo aquilo que ele precisa” e um outro mais severo onde a pessoa passa a viver num grande isolamento em relação aos outros e a si mesmo; tornando-se nada carinhosa consigo e com seu em torno.

Creio que a contribuição da Gestalt para a formação do psicólogo, independente da técnica que adote ou da área em que pretenda atuar, é inestimável. As diferentes contribuições teóricas disponíveis, a meu juízo, não precisam necessariamente ser excludentes, mas podem complementar-se, contribuindo para a composição de um quadro mais humanizado do que apenas um recorte ou olhar o permitiria. A própria Gestalt revela imbricadas relações e filiações com outras linhas e revela-se influente em experiências de eminentes profissionais não necessariamente filiados à sua escola.

Para concluir, sem a arrogância literal que representaria, de fato, uma conclusão, volto para a imagem de que somos máquinas de escrever. Queria dizer que somos, na realidade, “máquinas de inscrever”, pois à medida que nos inscrevemos (no real, no imaginário, no simbólico, enquanto mente-natureza, enquanto cidadãos na polis, etc) nos interconstituimos na e com a superfície que nos servimos como suporte – que é, ao final das contas, aquilo de que somos feitos.

Texto de Ricardo Paes publicado originalmente na Psicologia & Saúde

Notas
(1) Humberto Maturana, biólogo chileno e autor de obras como "A Ontologia da Realidade".
(2) Do grego, oikós = "eco" esignifica "casa". Somos nossa própria casa.
(3) POLSTER, Miriam [e] POLSTER, Erving. Gestalt terapia integrada. Belo Horizonte, Interlivros, 1979.

terça-feira, 10 de março de 2009

A vida só começa quando há algo mais sagrado que a vida



No momento em que você começa a procurar por si mesmo, torna-se um ser abençoado. A própria procura é o início da transformação.

Quanto mais empenhado você estiver nessa procura, mais cedo acontecerá a transformação. Faça isso com intensidade, com totalidade.

Este é um dos segredos fundamentais da vida e da existência: você só vive quando tem algo pelo qual está disposto a sacrificar até a própria vida. A vida só começa quando você tem algo mais - mais nobre, maior, mais sagrado que a vida.

Quando a própria vida torna-se apenas um meio para um fim maior, então ela começa a ter um contexto. E só nesse contexto há sentido, significado, alegria.

"OLHAR PARA SI E ENTENDER O OUTRO" É o caminho para o respeito para com o outro.

E quando voltar os olhos pra si mesmo não deixar que se percam ao acaso!

sábado, 7 de março de 2009

AS ESCOLHAS DE UMA VIDA

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".
Não é tarefa fácil.
No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião.
Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura.
No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando findam, ou casar, e pelo casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços.
Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista?
Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.
Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, sermos casadas de segunda a sexta e solteiras nos finais de semana, ter filhos quando se está
bem-disposto e não os ter quando se está cansada.

Por isso é tão importante o auto-conhecimento.
Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos.
Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm de refletir o que somos.
Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre.
Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido.
A estrada é longa e o tempo é curto.
Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências dessas ações.
Lembre-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo.
Mas também 50% de chance de darem errado.
A escolha é sua.

Autor: Pedro Bial

terça-feira, 3 de março de 2009

Quais são os medos que mais afligem você?


Você já vivenciou momentos de extremo MEDO na vida?


Você já parou para pensar, entretanto, que o medo nos PARALISA, mas ao mesmo tempo, nos LIBERA?! - É o caso daquela mãe que certo dia havia sido alvo de chacotas por causa de uma barata, mas que no dia seguinte, heroicamente, salvou seu filho das garras de um pitbull enraivecido!...

O QUE É O MEDO? COMO PODEMOS LIDAR COM O MEDO? Como podemos entender quando a Bíblia diz: “TEMAM ao Senhor”, e ao mesmo tempo o Senhor Jesus nos encoraja dizendo: “NÃO TENHA MEDO...?!”.





NA VERDADE TODOS TEMOS MEDO .... de alguém ou de alguma coisa! COMO ENTÃO LIDAR COM O MEDO?

Dizem os entendidos do MEDO que existem três (03) tipos de Medo:
1. O MEDO BENÉFICO:

2. O MEDO EMOCIONAL:

3. O MEDO DE NÃO SER AMADO:

COMO ENTÃO LIDARMOS COM O MEDO? COMO LIDARMOS COM ESSAS SITUAÇÕES INCONTROLÁVEIS DA VIDA?

"Quem conhece a sua ignorância revela a mais profunda sapiência. Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão."

segunda-feira, 2 de março de 2009

Muitas vezes temos que colocar um óculos em nosso cérebro ...

Para ver melhor o outro...

O aprendizado nos faz chegar a uma maturidade e nos faz perder muitas coisas, mas tem seu lado bom. Com a experiência e com a capacidade de análise um pouco mais aguçada, a gente consegue ver coisas, pessoas e gestos, que antes, talvez fosse impossível.

Querer ver o outro feliz é nobre, porque significa ter prazer com a felicidade dos outros. É ser mais que solidário.

Delymar Cardoso